quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O OLHAR CIGANO



"Eu digo: não há nenhum olhar tão maravilhoso como o do cigano!Há qualquer coisa de extraordinário nos olhos do cigano:se ele se vestir como um rei, um padre ou um guerreiro, ainda assim o cigano seria denunciado por seus olhos! Os olhos do cigano possuem uma estranha expressão de fitar e um brilho vítreo que surge sobre eles,quando em repouso, que parece emitir luz fosfórica. Os olhos resplandecentes do cigano perfuram o âmago do meu peito, façanha que nenhum outro olho debaixo do céu poderia jamais ter efetuado. É ao mesmo tempo inquieto, penetrante quando se fixa, móvel, constantemente espiando, pois é a arama mais poderosa do cigano, que lhe permite ver e prever. Reflete, ao mesmo tempo, a doçura e a selvageria, uma imensa bondade e uma crueldade sem limites. Um olhar sempre fugidio, mas apesar disso se fixa aqui e acolá, num certo instante. Um olhar triste e altivo, amoroso e duro. Um olhar cheio de paixão, mas de uma paixão contida, retida entre as pálpebras que deixam passar um estilhaço metálico, magnético, saltando de olhos paradoxalmente enevoados, velados, coalhados como mortos. Seus olhos tem uma expressão ao mesmo tempo voluptuosa e selvagem, que jamais tornei a encontrar num olhar humano.- Olho de cigana, olho de loba!" (FEDERICO GARCIA LORCA)

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